Archive for Julho 2013

Buracos Negros de Matéria Escura são Portais de Viagem no Tempo Para outros Universos

Olá, com certeza você clicou no link para ver esse texto porque você se interessa por um dos (ou todos) temas do Título. Mas me diga, qual é o nível de relevância dessa informação para você? Você de fato conhece todas as leis da física envolvidas? Sabe sobre todas as teorias que possibilitaram essa descoberta? Sabe ao menos uma delas? Saberia dizer se o texto é um amontoado de bobagens ou se está correto? Você confiaria nas informações que “alguém” posta nesse blog?

Esse texto não será sobre o que você está esperando que seja, mas sim reflexão da forma que você busca por ciência. Então desde já adianto que o que eu escrevo a baixo não serve para todos, não tem nomes escritos aqui, então você veste a carapuça se quiser. Também a crítica não é para quem se interessa por esse tipo de informação, mas sim para aqueles que somente buscam sensacionalismo sem qualidade e se consideram admiradores da ciência.

Nós que trabalhamos formalmente ou informalmente com divulgação científica na internet há tempos, temos notado que a maior parte dos nossos leitores não querem de fato ler sobre ciência, mas querem ler sensacionalismos sem o mínimo de reflexão. Então eu pergunto; Se o conteúdo desse texto fosse de fato o que o título diz, qual seria a relevância do assunto? O que realmente você entenderia dele? Ele violaria algum princípio físico? Ele agregaria algo ao seu conhecimento que você carregaria de forma sólida por sua vida ou seria uma simples masturbação da sua curiosidade?

O que é essa imagem? Já ouviu falar sobre Raio de Schwarzschild?

Cruzando e Analisando Informações:

Quando você pega para ler um texto sobre ciência, qual a segunda coisa que você repara após o título?

Se você respondeu “as imagens”, você já começou colocando o pé no lugar errado. A primeira coisa a se reparar, após o título, na hora de ler um texto é no site/blog que ele está postado. Se for no Tecmundo, esqueça... até hoje tenho dor no rim de lembrar deles chamando o Big Bang de “explosão galáctica”. A segunda coisa a se reparar é a fonte utilizada para escrever o texto, leia ela também, pois muitos blogs citam fontes que nem sequer usam. Mas o meu ponto aqui não é exatamente onde você busca informação, mas sim como você absorve ela. Então vamos a um exercício:

Agora vou passar dois textos para vocês sobre o mesmo assunto e por favor leiam eles antes de continuar esse texto:



Supondo que você não foi preguiçoso e leu os dois textos acima, saberia me dizer qual está correto e qual está errado? Não analise pelo nome do site, nem pelas fontes, nem pela forma que a pessoa escreve e nem pelas imagens utilizadas, mas somente pelo conteúdo. Pegue o texto que você acredita estar errado e diga a você mesmo o porquê de aquele texto estar errado, os seus conhecimentos de física são o suficiente para isso? Pelo que você sabe é a entropia o fator chave desse assunto? O que é entropia e qual sua relação com a temperatura?

Se o seu conhecimento não falhou nesse momento, parabéns! Mas se falhou está na hora de você rever seriamente como você tem assimilado as informações sobre ciência que você recebe. Ler é diferente de se informar com qualidade, então atente para isso.

Que coisa é essa?

Agora, indo mais adiante; você compraria esse livro: O Segredo?

Se compraria, você sabe me dizer se de fato o que é afirmado nesse livro é conhecimento científico?
Se não compraria, saberia me dizer por qual motivo ele é (e se é) uma grande besteira?
Você saberia refletir sobre o conteúdo desse livro de um ponto de vista científico? É possível a ciência provar esse tipo de coisa?

Saber um pouco de ciência antes de se deparar com conteúdos mais avançados não é somente uma forma de absorver e julgar melhor o conteúdo que você busca, mas é também uma forma de não se deixar enganar por qualquer coisa que tenha “cientificamente provado” no título, é não se fazer e não deixar que te façam de bobo. E tome cuidado, tem muito picareta tentando ganhar dinheiro em cima do que você se interessa, mas não entende bem.

Mas e se eu não quiser?

Nesse caso não posso fazer nada a não ser lamentar e pedir que você reflita sobre isso, pois toda vez que você lê um artigo errado ou pseudocientífico e divulga isso em seu facebook, twitter, blog, etc, você está, na verdade, contribuindo para a desinformação científica e também para o analfabetismo científico, agindo assim contra os esforços de milhões de cientistas que tentam levar a ciência a população de forma concisa e correta.

Tá, mas e aí?

O que eu quero dizer com essas questões é simples; Utilize sua curiosidade sobre ciência para construir um conhecimento que te agregue algo, que seja sólido. Estude ciência, não precisa ser de forma acadêmica, mas você precisa saber o mínimo de física antes de ler um texto mais complexo. Sem esse mínimo de conhecimento você não consegue julgar a qualidade da informação que recebe e acaba virando uma lata de lixo de “informações” sem sentido. Então pare de preguiça e vá estudar, para entender o básico você não irá precisar de muito mais do que você já viu no Ensino Médio. Pesquise bem antes de “acreditar” em algo, leia em várias fontes, se questione sobre aquilo em relação aos seus conhecimentos básicos e pergunte para alguém que entenda mais de ciência que você sobre o assunto. Dessa forma você consegue se informar com qualidade, consegue refletir sobre o assunto, interagir com o tema, ao invés de receber qualquer tipo de bullshit passivamente.

Então, antes de querer entender relatividade, aprenda cinemática, leis de Newton, transformações de Galileu. Antes de querer entender buracos negros aprenda sobre gravitação, termodinâmica. Antes de querer entender viagens no tempo, estude uma introdução a relatividade, a história dela. Sem um prévio estudo da física você conseguirá apenas um amontoado de informações desconexas te impossibilitando de construir um conhecimento sólido e verdadeiramente útil para você!


Há, ia me esquecendo. O motivo pelo qual fiz esse texto é que sempre vejo reclamações (inclusive eu mesmo reclamo) que textos e posts sobre ciência NUNCA dão muitos acessos e compartilhamentos. A única coisa que chama a atenção dos leitores são sensacionalismos e fotos bonitas, aí resolvi fazer esse texto armadilha.


Obs.:
1 - Se você compartilhar esse texto sem ler, você é um verdadeiro babaca (sim, é tipo um xingamento pelas costas)
2 - Não precisa postar comentário dizendo que você é diferente, que você não faz isso, pois se fato você não é assim o texto não foi escrito para você! 
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

Matéria e Energia - Partículas e Campos (Pt 2)

Aqui está nosso segundo texto da série Matéria e Energia. Como eu sou péssimo com planejamentos, esse texto será sobre campos e partículas que corresponde aos tópicos 3 e 6 do combinado e no próximo abordarei os tópicos 4 e 5.

Como vimos anteriormente, não é uma tarefa fácil definir em palavras o que é energia, já a definição de matéria se mostra ainda mais difícil. E nessa nossa tentativa de definir coisas bem difíceis daremos mais um passo.
Nossa concepção atual do mundo físico é formada por uma grande variedade de experimentos e descobertas que ocorreram entre os anos 1900 e 1970. Esse conhecimento não é nada de sobrenatural, mas leva um certo tempo para as pessoas que cresceram com uma visão arcaica virem a realidade por um novo ponto de vista, e alguns de fato nunca irão ver. Também leva um tempo para uma versão mais recente de uma visão de mundo a entrar em foco nítido para a própria ciência.
Hoje, se alguém quiser falar sobre o mundo no contexto do nosso ponto de vista moderno, pode-se falar em primeiro lugar dos "campos e as suas partículas”. Os campos são os ingredientes básicos do universo¹, hoje em dia esse é o nosso paradigma dominante. Vemos os campos como mais fundamental do que as partículas, porque você não pode ter uma partícula elementar sem um campo, mas você pode ter um campo sem quaisquer partículas. No entanto, acontece que todos os campos conhecidos têm uma partícula conhecida², por exemplo, o campo eletromagnético tem o fóton, o campo de Higgs tem o bóson de Higgs. De forma geral, cada campo fermiônico tem seu férmion relacionado assim como cada campo bosônico tem seu bóson.

O que "campos e partículas" têm a ver com a "matéria e energia"?
Campos não são matéria propriamente dita e partículas, como definimos antes, podem ser ou não matéria, vai depender se elas são partículas de matéria ou de força. Para te lembrar, definimos partículas de matéria, os elétrons, neutrinos, quarks,etc e partículas de força, os fótons, bósons W's, bósons Z's, etc.
Então as primeiras conexões que temos são:
Campos → Não são matéria propriamente dita.
Partículas → Podem ser ou não matéria, vai depender de suas características.
Agora vamos para a relação entre campos e partículas com a energia.
Mesmo que você saiba pouco sobre a área de partículas e campos, é um tanto intuitivo pensar que todos os campos e partículas podem ter energia. Mas eles são energia?
A resposta é não! Como definimos anteriormente a partícula pode ter energia, mas ela não é energia, da mesma forma que minha casa é da cor branca, mas ela não é a cor branca. O mesmo vale para o campo, ele pode possuir energia, mas ele não é energia, a energia é uma propriedade sua. Posso, quem sabe em um texto mais técnico no Relative Thinking, mostrar como descobrimos a energia de um campo, mas isso é assunto para outra hora.
É bem complicado falar sobre campos e sua relação com partículas, quebra de simetria, etc. Então peço que no momento se contentem com o esse link aqui, mas em um futuro próximo prometo fazer um texto sobre o assunto (me cobrem se eu esquecer).
Resumindo essa relação entre campos e partículas com energia:
Campos e Partículas → Não são energia, energia é uma propriedade deles.

Dessa forma vemos que os ingredientes mais básicos do no universo, os campos, não são energia e não são necessariamente matéria. Sim, é algo bem abstrato.

Para encerrar a segunda parte quero tentar desfazer um problema que pode ter ocorrido durante esse texto. Que é a relação “Partícula de Matéria” e “Partícula de Força”.

Dividir partículas nas duas classes “Partícula de Matéria” e “Partícula de Força” é um pouco arbitrária. Para nosso texto ela funciona bem, pois falamos que as partículas de força e suas antipartículas estão associadas com as quatro forças da natureza que conhecemos, enquanto as partículas de matéria e suas antipartículas são todas as outras partículas. E há muitas situações em que essa divisão é conveniente. Mas nós poderemos facilmente descobrir partículas que não se enquadram nesta classificação, um exemplo é o bóson de Higgs, pois ele não está relacionado a uma força, mas também não está na categoria de “matéria”.
No decorrer do texto, eu fui tentando utilizar uma divisão alternativa (mas muito diferente) e que faz mais sentido: ora eu chamava de partículas de matéria outra eu chamava de férmions, e ora eu chamava de “partícula mediadora de força” outra de bósons. Essa definição é mais abrangente e mais correta, pois abarca mais partículas, inclusive o Higgs que não faz mediação de força, mas sim de massa³.
Assim é mais conveniente dividir em:
Férmions: Partículas de matéria propriamente dita, e você pode ver uma lista delas aqui.
Bósons: São partículas que não podem ser consideradas matéria propriamente dita, e existe também uma lista delas aqui (sem o Higgs).
Essas partículas e as interações que ela mediam são organizadas e estudadas em uma teoria que chamamos de modelo padrão


Apesar da nossa definição arbitrária do primeiro texto, o que de fato temos é que todas as partículas da natureza são simplesmente partículas, algumas das quais são antipartículas de outras, e não há apenas uma única maneira de dividi-las em classes. A razão pela qual eu usei "matéria" e "força" é que isto é um pouco menos abstrato do que "férmions" e "bósons".

A diferença real entre bóson e férmions é um tanto complexa de se explicar do ponto de vista da física, pois utilizamos conceitos um tanto complexos, mas como disse, eu tentarei (assim que surgir tempo) escrever um texto abordando o assunto.

Por hoje é só pessoal. Lembrando que esses textos são nada mais que um incentivo à vocês a buscarem mais informações e também para abrir margem para novos textos dessa área. 


1 - Para alguns físicos, o mais fundamental do universo são os espinores, mas isso não desvalida em ponto algum o que falamos acima, além de ser um assunto que não cabe aqui.

2 - O campo gravitacional teria como partícula o Gráviton, porém ele é uma partícula problemática que está um pouco longe de uma confirmação experimental.

3 - Caso queira entender melhor sobre isso, leia esse texto (mas leia logo que esse blog será apagado!): E o bóson de Higgs, a quantas anda? 
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

Notas nas graduações científicas

Os últimos textos postados abordaram situações que fazem parte do nosso cotidiano. E então, aproveitando essa linha, e como sinto falta de um texto a respeito desse assunto, resolvi escrever para mostrar um pouco da realidade dos graduandos, para quem pretende entrar na universidade e também para levantar questões que acredito pertinentes.

Claro que não conseguirei escrever a respeito de todos os problemas que enfrentamos, mas futuramente posso tentar escrever mais acerca de como é estar na graduação, como está o preparo de quem entra na graduação e como os formandos, em média, saem da graduação. Acho que esses pontos são muito importantes, pois esses graduandos e recém formados poderão ser nossos pesquisadores e professores.

Então, vamos ao que interessa.

Algo que percebi desde que entrei na graduação é que apesar dos professores afirmarem que nota não é importante, no fundo isso é cobrado de nós todos os dias, tanto pela postura de muitos professores quanto do que é avaliado para conseguirmos um orientador e uma bolsa de iniciação científica.

Mas a pergunta que fica é: qual o problema de nos focarmos nas notas?
Bem, eu vejo de uma maneira simples. Em grande parte das vezes a nota não avalia corretamente um aluno, mas o problema vai além. Quando o aluno foca em tirar notas e não em aprender, temos um problema grave. Porque assim o aluno está se preparando para responder o que o professor quer ler (ou ouvir em alguns casos), ao invés de estar refletindo e construindo seu conhecimento de forma significativa , ou seja, o aluno se tornou uma maquininha de resolver "problemas" padrões e não alguém que um dia poderá ser um pesquisador ou professor que se deparará com diversos problemas diferentes não vistos em sua graduação e será capaz de trata-los de forma crítica.

Então é possível perceber que não se está oferecendo a esses alunos a oportunidade da reflexão e da crítica, mas sim uma receita de bolo ensinada pelos livros e professores,o que pode acarretar que diversas pessoas não desenvolvem criatividade e reflexões críticas, fazendo com que o processo de formação de pesquisadores se torne muito mais longo. Além de esses alunos poderem não ter aprendido significativamente o conteúdo, de forma que o mesmo poderá ser esquecido no futuro. 

A iniciação científica foi uma forma para tentar reduzir esse problema, visando ensinar ao aluno que o processo de aprender, apesar de desenvolvido coletivamente, é individual, e deve ser buscado por conta própria. Mas mesmo assim o aluno se forma mal preparado e não desenvolve uma mentalidade de pesquisador, pois se acostumou com um método tradicional e individualista. A bem da verdade, muitos graduandos (principalmente bacharéis) saem sem saber o básico a respeito de métodos científicos e sua validade, da diferenciação de fontes confiáveis e inseguras, da compreensão e importância de debates acerca do que é ciência e qual seu impacto social, político, cultural, entre outros.

Mas alguém pode perguntar, ao estudar para uma prova você já não estaria aprendendo? Essa é uma questão relativa. No curso de Física, apesar de termos poucos assuntos durante um semestre, esses assuntos são mais aprofundados, o que faz que tenhamos muitas provas e assim menos tempo para nos dedicarmos para aprender, e a forma como são abordados faz com que seja mais fácil e vantajoso estudar para uma prova pelas listas que os professores fornecem e anotações das aulas do que tentar aprender e demonstrar como surgiram aqueles conceitos físicos e matemáticos. 

Isso que nem estou levando em conta que deveríamos também compreender relações histórica e filosófica por trás daqueles conceitos, porque além delas nos ajudarem a fixar e entender melhor como e por quem a ciência é construída, nós iremos dar aulas. Ou você achou que mesmo sendo bacharel não ia ter que dar aulas? Aqui no Brasil existem poucas áreas na ciência que você não terá que ir para a área acadêmica, ou seja, você cursou bacharel, não foi preparado para ensinar, não foi preparado para pensar sozinho para resolver problemas mais complexos, não conhece as discussões que rodeiam a ciência e vai se tornar um professor.

Esse é um dos motivos de por que na graduação termos muitos professores que não fazem ideia de como ensinar e nem do que estão fazendo em sala de aula. Sendo que esses professores só conhecem, ou acreditam no método tradicional de ensino, e estão acostumados com provas que não são reflexivas e não tentam investigar se a aprendizagem de um aluno foi significativa. Sendo assim, o professor não faz uso de um instrumento real para saber se seus alunos estão aprendendo, apenas aquele único instrumento que é a prova.

Mas os problemas não param por aí, as provas não avaliam corretamente os alunos que tem déficit de atenção, hiperatividade e outras síndromes que prejudicam a desenvoltura dos alunos em provas. Sem dizer que mesmo os alunos que não possuem nenhuma síndrome também estão sujeitos a não estarem em perfeito estado de concentração para a prova. Alguns professores podem dizer que isso faz parte, mas me desculpe professor, não faz parte não. Um aluno não deve ser avaliado pela sua concentração em dias específicos do semestre. Não é assim que iremos pesquisar no futuro e muito menos vocês professores dão aula sem nenhuma anotação (apenas raríssimos professores dão aula de cabeça sem consultar nada).



Ou seja, um professor quer avaliar e descontar por sua falta de atenção, por você ter respondido como ele queria a resposta e não como você compreendeu de fato, por você conseguir ter se tornado uma máquina de resolver problemas. Bom e agora, isso tem solução? Essa solução é viável?

Como esse problema é muito complexo e não depende apenas dos professores, mas também de toda nossa estrutura educacional que sufoca a criatividade dos alunos, essas mudanças serão muito lentas. Algo que deveria ser revisto, é a forma que as provas são estruturadas, e não ser somente elas que constituam com maior peso a avaliação dos professores sobre os alunos. As avaliações deveriam ser feitas de uma forma a instigar o aluno a refletir sobre aquele problema, assim como isso deveria acontecer nas aulas. Não deveriam avaliar se um aluno sabe fazer 10, 25, 50, 100 ou 1.000 exercícios, mas se ele conseguiu entender o mecanismo por trás desses problemas. Também acho que tanto os alunos como os professores deveriam se envolver mais com a história e os debates que ocorreram por trás daquele conteúdo.

O professor também não deveria avaliar se o aluno sabe ser um bom piloto de avião que sabe lidar com uma grande pressão em pouco tempo, como é uma prova. Porque no futuro aquele aluno que se tornará um professor/pesquisador não lidará com situações como essas, na verdade ele terá certo tempo para conseguir pesquisar e montar suas aulas. Além de ter todo o apoio de um material disponível para tirar suas dúvidas.

Então, realmente professores o que vocês tentam avaliar nos alunos de graduação com provas que não estimulam o aluno a pensar, com uma situação que ele não passará na sua vida de pesquisador?

Deixo como indicação alguns textos de tratam muito melhor que eu desse assunto e dão métodos alternativos, até mesmo já testados aqui no Brasil e que tem uma excelente eficácia para desenvolver o pensamento crítico e a compreensão conceitual dos alunos:



Gostaria de agradecer ao Adriano Ortiz que me deu grande apoio para escrever esse texto, sendo o co-autor desse texto. 



domingo, 28 de julho de 2013
Posted by Rubia Guimarães

NÃO É "Só" Uma Teoria!

Sempre vejo em comentários no facebook uma coisa que me irrita um pouco, o famoso “é só uma teoria”. O assunto é de fato de uma complexidade extrema, pois aqui não existem precisões de definições e escrever um texto sem abordar diretamente aspectos históricos e epistemológicos de grande profundidade, se torna um desafio impar. Vamos tentar, mas antes me deixe tentar te situar um pouco.

O que me aflige é que em textos, comentários de facebook, blogs, vlogs e na TV, é corriqueiro encontrar alguém que diga “é apenas uma teoria” se referindo à Teoria da Relatividade, à Mecânica Quântica, à Teoria da Evolução, à Teoria de Big Bang entre muitas outras. Para alguém envolvido de certa forma com a ciência isso é quase um soco no estomago, mas para o resto da sociedade é difícil de fato distinguir uma “teoria científica” e de uma “idéia pessoal”, pois essa visão de “teoria” ser uma idéia sem muito fundamento, baseado no que uma pessoa acha, é a forma mais usada para a palavra.

Mas afinal essas teorias são “apenas teorias”? O que de fato é uma “teoria”? O lado pessoal tem muita ou pouca influência nessas teorias?

Vamos começar esse texto tratando de alguns aspectos sobre o que é “ciência” e como ela é feita (você já se perguntou sobre isso?), mas isso é algo complexo que me renderia não um texto, mas sim livros e mais livros. Por esse motivo vou dar uma definição funcional e concisa (um pouco cartesiana), mas deixarei no final do texto links para livros que vocês deveriam ler para de fato entender o assunto – Não se limite a esse pequeno texto!


Para nosso propósito, compreendemos Ciência como uma ferramenta a qual agregamos conhecimento sobre a sociedade, seres vivos, átomos, planetas e tudo mais que está contido no universo a nossa volta. A partir do conhecimento científico podemos explicar desde fenômenos corriqueiros como a chuva, eventos cosmológicos como buracos negros ou microscópios como elétrons saltando de suas órbitas. Podemos também entender nossa sociedade, como ela funciona, se relaciona, se desenvolve. Descrever o desenvolvimento da vida, a interação entre os seres vivos, a evolução e muito mais.

De forma geral, a construção desse conhecimento segue regras comuns, as quais constituem o método científico¹. Para uma informação ser aceita pela ciência, ela deve passar pelos seguintes processos:
Primeiro se observa o fenômeno em questão que se quer estudar, a observação pode ser direta ou não. Na observação podemos utilizar microscópios, telescópios, olho nu e etc. Após isto, formulamos uma pergunta sobre o que observamos para poder estreitar nosso foco da investigação e especificar o problema.

Então damos mais um passo, que é a formulação de uma hipótese, ou seja, propor uma explicação lógica em forma de hipótese que descreva o fenômeno observado e preveja novos fenômenos.

Depois, realizamos experiências controladas para testar nossa hipótese e então recolhemos e analisamos os dados, se eles condizem com o esperado temos a comprovação da nossa hipótese, caso contrário, temos que reformulá-la. Porém, ainda não podemos dizer que isso é ciência, ainda nos falta dois aspectos importantíssimos e que jamais podemos deixar de lado, são eles: a causalidade e a falseabilidade.
Apesar dos nomes um tanto complexos elas são relativamente simples de se compreender, a primeira nos diz a relação entre causa e efeito², ou seja, como um fenômeno primário acarretaria um fenômeno secundário. A segunda nos diz algo interessantíssimo: toda hipótese precisa ser testada, garantindo a sua verificação como verdadeira ou falsa, podendo assim ser contestada.

Com isso tudo temos uma teoria recém nascida que irá acumular, ao longo do tempo, evidências diretas e indiretas que consolidam. Mas mesmo depois desse longo caminho ainda não temos uma verdade absoluta e nem nunca teremos, o que teremos é apenas uma modelo que descreve aproximadamente bem o observado, tal modelo pode no futuro ser substituído por um modelo melhor que abranja mais fenômenos e os explique com maior precisão.

Resumindo, para termos uma teoria científica precisamos ter um modelo consistente com a realidade, que explique fenômenos observados, que preveja corretamente outros fenômenos, que tenha provas diretas e indiretas, que possa ser verificado por qualquer cientista.

Na visão leiga, uma “teoria” é nada mais do que uma dedução, nem sempre lógica, a partir de fatos observados. Agora compare as duas, a “teoria” na visão de um leigo e a “teoria” na visão da ciência. Qual delas é de fato mais sólida? Uma “teoria científica” é apenas uma “teoria”?  

Outras Teorias e Alguns Problemas 

Acima eu fui um tanto cartesiano (detesto usar esse termo, pois é um dos xingamentos pseudointelectuais da moda universitária tupiniquim, principalmente em cursos como psicologia… hahahaa) e por esse motivo aqui vou tentar tratar de uma forma um pouco diferente.

Primeiramente, nem toda teoria científica vem daquela forma. Por exemplo, eu trabalho com Teoria Quântica de Campos (TQC), ela nasceu basicamente da união de duas teorias altamente consolidadas, a Mecânica Quântica e a Teoria da Relatividade Restrita. Partindo de elementos provenientes dessas duas teorias, estrutura-se novos modelos científicos, que nos levam a criação de uma nova teoria, mais abrangente que funciona como um Framework de teorias, é basicamente uma grande teoria em que outras teorias são criadas. Como filhos da TQC, temos a Eletrodinâmica Quântica, que é uma das teorias mais precisas e sólidas que temos hoje, e a Teoria de Cordas que está em fase de comprovação.


Se a Teoria de Cordas ainda não foi comprovada, porque ela recebe o nome de teoria? Por um motivo simples, ela tem seu berço bem consolidado, é um produto de uma grande “teoria” e por isso ela acaba herdando o título. Mas existem outras teorias que saem desse berço esplendido que não são boas, ou foram descartadas por não condizerem com a realidade. Então existe uma plasticidade da palavra “teoria”. Mas o que tem que se ter em mente é que uma “teoria científica” tem uma base sólida e não é uma idéia maluca inconsistente, feita por um velho descabelado e solitário em uma sala empoeirada.

Mas dando um pouco de advogado do diabo; essas nossas teorias consolidadas são infalíveis e imutáveis?
Nossas teorias são os melhores modelos que temos até o momento para descrever fenômenos da natureza, algumas teorias são ótimas, outras nem tanto. Por esse motivo nossas teorias vão sempre falhar em alguns momentos e é a partir dessas falhas que ela evolui. Sem esses erros/falhas a ciência seria um conhecimento estático e sem graça.

Você que é uma pessoa esperta vai dizer: se é assim tão simples, por que não vemos teorias evoluindo com tanta facilidade ou mesmo sendo abandonadas?

Essa pergunta toca no cerne da teoria científica, em uma coisa que chamamos de Paradigma. O paradigma é como a viga mestra da teoria. Quando encontramos observações e dados experimentais que não condizem com nossas teorias, a primeira coisa que fazemos não é abandonar a nossa teoria, mas sim criar forma de a teoria se encaixar naqueles dados/observação, é como se fizéssemos um remendo na teoria e botássemos ela de volta na estrada. Com o tempo vamos percebendo se o nosso remendo foi uma melhoria ou se foi uma tentativa inútil de melhorar uma teoria que não condiz muito com a realidade. Quando a teoria é ruim, com o tempo surgem tantos remendos (explicações adhocs) que a teoria rui e temos que formular uma nova, a esse ponto damos o nome de “quebra de paradigma”, ou seja, nossa teoria que servia de sustentáculo para o nosso conhecimento naquela área ruiu e temos que formular uma nova. É mais ou menos assim que a ciência normal funciona.

Resumindo: Nossas teorias têm bases sólidas, entretanto, a ciência é fruto do conhecimento humano, e como tal, não apresenta verdades absolutas, dogmas (caso contrário, deixa de ser ciência), de forma que evolui. Logo, esse conhecimento é de extrema importância e nos permite aprofundar constantemente nossa interpretação da realidade.

Vou parar por aqui, pois acho que com essa introdução vocês já podem ter uma pequena idéia sobre o assunto e quem sabe se sintam motivados(as) a ler os livros abaixo. Caso você seja epistemólogo da ciência, adoraria que nos ajudasse postando nos comentários pontos pertinentes sobre o assunto que eu não abordar no texto.  


Lista de livros que acho de suma importância sobre o assunto:

- O que é Ciência - Chalmers 
A estrutura das revoluções científicas - Kuhn
A lógica da pesquisa científica - Popper
Mathematics, Science and Epistemology: Philosophical Papers Volume 2 - Lakatos
- Contra o método - Feyerabend.
Explaining Science; A cognitive Approach - Ronald Giere



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1 – Existe sim na ciência conhecimento que foi adquirido sem seguir o método científico a risca, mas que com o tempo esse conhecimento foi aos poucos passando por constantes análises, confirmações e interpretações. O Método Científico também está longe de ser infalível e para tratar esse assunto recomendo a leitura de Contra o Método – PaulFeyerabend (mas não leia esse livro sem antes ter lido os livros da lista que deixei no final desse texto).

2 – Existe na Mecânica Quântica algumas quebras de causalidade, por isso o método científico não deve ser tido como absoluto nem infalível, embora ele seja uma maneira de sermos menos parciais na busca por conhecimento.

quinta-feira, 25 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

Matéria e Energia - Diferenças que você precisa saber!

Você leigo, que adora ler texto sobre física na internet, sempre se depara com a relação entre matéria e energia, e recebe definições diferentes sobre como elas se relacionam. Por esse motivo resolvi escrever esse texto, que será enorme e por isso vou dividir em 3 posts abordando 2 tópicos em cada texto. A idéia é tentar dar uma definição mais precisa sobre a relação entre matéria e energia para que você pare de receber conceitos errados e possa ter um conceito mais formal para carregá-lo para a vida.
Eu vou me basear aqui no excelente post do Professor Matt Strassler que vou deixar nas referências.

Os tópicos que irei abordar são:

1 – Matéria e Energia realmente são a mesma coisa?
2 – Aniquilação de partículas não é matéria se transformando em energia.


Mãos a obra:

1 – Matéria e Energia realmente são a mesma coisa?

Uma causa dos grandes problemas com a definição da relação entre matéria e energia é que com o tempo de estudo na física você vai aprendendo a separá-las em sua cabeça e elas se tornam (e são) coisas realmente diferentes, tanto experimentalmente quanto matematicamente. Por esse motivo não perdemos muito nosso tempo tentando explicar as diferenças e similaridades em livros e textos, aí causamos isso, um monte de gente que não sabe distinguir as duas coisas, já que os textos de divulgação fazem questão de usar definições ambíguas e que mudam de texto para texto.

O mais comum de se ler por aí é que matéria e energia são a mesma coisa e isso não é verdade – É José, o documentário mentiu pra você. Matéria e energia nem sequer estão na mesma categoria, mas vamos definir as coisas com mais calma.

Primeiramente definiremos o que é matéria e fazer isso é bem complicado. Vamos começar com uma definição simples que você não terá problemas em compreender:

- A forma mais automática de se pensar em matéria é ela como sendo as coisas a nossa volta, como cadeiras, mesas, a água, o ar, a terra. Podemos estender essa definição para os átomos, e por sua vez estender ainda mais para partículas ainda menores como elétrons, múons, taus, três tipos de neutrinos, seis tipos de quarks, ou seja, todos os tipos de partículas que não são bósons – que não são mediadoras de força.



Mas quero deixar bem claro que até mesmo essa definição acima é um tanto contraditória quando consideramos a matéria escura, por exemplo, mas isso é assunto para um tópico mais adiante.

Embora a energia seja algo bem definido fisicamente e matematicamente, no dicionário ela possui mais significados que a palavra “matéria”, ou seja, temos um problema lingüístico para distinguir precisamente o que é a energia, mas vamos tentar.

Parte do que torna complicado para descrever a energia é que ela pode tomar várias formas, das quais nem todas são conceitualmente simples. Aqui estão as quatro mais comumente encontradas:

  1. O físico R.P. Feynman possuía uma forma interessante de se definir energia, mais ainda sem ser menos abstrata. Ele dizia que energia é uma quantidade que sempre se conserva, não importa o que você faça com um corpo ou um sistema de corpos, sempre conservará essa quantidade. Mesmo em sistemas com dissipação de energia podemos encontrar a quantidade perdida pelo corpo em forma de calor, som, vibração, etc.
  2. A energia pode ser “confinada” na massa de um objeto, que é o famoso E = mc², e também chamado de "energia de repouso", uma vez que é a energia que um objeto tem quando está parado.
  3. A energia está associada com o movimento de um objeto, cujo nome técnico é "energia cinética". Este tipo de energia é bastante intuitiva e nos leva a notar que os objetos mais rápidos têm mais energia do que os mais lentos e juntando com a primeira definição, um objeto de maior massa tem mais energia cinética do que um mais leve, se os dois estiverem viajando na mesma velocidade.
  4. A energia pode ser armazenada nas relações entre os objetos (energia potencial). Ele pode ser armazenado em uma mola esticada, ou na água atrás de uma represa, ou na interação gravitacional da Terra com o Sol, ou na relação entre átomos numa molécula, ou quando simplesmente levantamos uma pedra com nossas mãos. É aquele conceito simples de energia potencial que aprendemos no ensino médio.

As quatro definições acima estão longe de serem simples de se entender assim de primeira, então vá discutir com seus amigos e ler mais textos.

Mas vamos resumir tudo isso de forma BEM simplória dizendo que energia não é por si só um objeto. Por exemplo, Um átomo contém energia, mas ele não é energia propriamente. E você precisa saber que partículas se movendo por conta própria através do espaço podem ter dois tipos de energia: energia relacionada à massa e energia relacionada ao movimento.

2 – Aniquilação de partículas não é matéria se transformando em energia.

(Não é a minha intenção explicar aqui o processo de aniquilação entre partículas e suas antipartículas, mas sim analisar seus produtos. Talvez no futuro eu possa escrever ou traduzir algo sobre isso)

Talvez aqueles que estejam a pouco tempo pesquisando e lendo materiais de divulgação sobre física não tenham tido contato com o assunto. Então vou explicar com mais calma.

Quando uma partícula e sua antipartícula se encontram elas se aniquilam e, segundo muitos textos e alguns documentários por aí, o resultado dessa colisão é nada mais que simples e “pura” energia. Mas infelizmente, a afirmação não é verdadeira.


Na maior parte dos textos que falam sobre isso, a “energia pura” é referida aos fótons provindos da aniquilação entre elétrons e pósitrons. Mas o fóton também não é energia, ele contém energia! Por exemplo, minha casa possui a cor branca, mas ela não é a cor branca, ou seja, a cor branca é apenas uma propriedade da minha casa.

É totalmente corriqueiro encontrar por aí leigos que acreditam que fótons são de fato “energia pura”, mas na verdade eles são partículas, como qualquer outra provinda de oscilações em um campo correspondente¹, da mesma forma que um elétron², por exemplo. Quando um elétron e um anti-elétron (pósitron) se aniquilam, a energia dos fótons produzidos é igual à massa do par elétron-pósitron, já que a energia é conservada.



Mas podemos considerar o aniquilamento entre outras partículas, por exemplo. Quando um múon se aniquila com o antimúon, existe a mesma probabilidade de resultar em um par de fótons ou em um par elétron-pósitron. Ou seja, temos matéria se aniquilando em matéria e não em energia pura. O aniquilamento do par múon/antimuon em dois fótons ou no par elétron/pósitron representa exatamente o mesmo processo, então não precisamos fazer distinções que não existem!

Com isso acredito que tenha ficado claro que não é verdade que matéria e a antimatéria se aniquilam formando energia propriamente dita, elas se aniquilam formando outras partículas que contém energia. Ok?!


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Espero que tenham gostado da nossa primeira parte. À medida que eu for encontrando tempo vou escrevendo mais. Lembrando que estou me baseando nos textos do professor Matt Stressler, então dê uma checada no blog dele que vocês irão achar bastante coisa legal.


1- A Teoria Quântica Campos, que é o framework de onde saíram algumas das teorias mais bem sucedidas que temos atualmente, trata as partículas como sendo oscilações em diferentes campos. Um elétron é uma oscilação em um campo fermiônico com determinadas propriedades. Já o fóton é um oscilação em um determinado campos vetorial, no caso, o campo elétrico.

2- Acho importante fazer aqui um adendo. Note que falamos que fótons são partículas assim como elétrons, mas no início definimos que elétron é matéria propriamente dita e fótons (que é um bóson) não. O que acontece é que a definição de "partícula" é mais abrangente do que a definição de matéria. Em "partículas elementares" temos duas classes que são os Férmions e os Bóson, os férmions são matéria propriamente dita, da maneira que de definimos. Por sua vez, bóson são partículas mediadoras de força e estão fora da nossa definição de matéria.


*E uma dica final dessa seção: É corriqueiro até mesmo professores passarem uma visão de que a energia é quase um substância fluída que passa de um corpo para outro, mas isso não é verdade, energia não é uma substância e nem é trocada de forma continua entre dois corpos, mas deixemos isso para um próximo texto 
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

A prejudicial postura dos documentários científicos.

Esse é meu último post do mês (talvez do ano) sobre esse assunto, mas como uma parte significante desse blog será voltada para leigos, então acho relevante um alerta antes de dar um tempo no assunto.

A divulgação científica cumpre um papel fundamental na sociedade que é o de auxiliar e incentivar a alfabetização científica. Porém nem tudo é tão bonito e útil assim, na verdade a divulgação científica é algo muito perigoso e, algumas vezes, ingrato.

Quando alguém se propõe a levar o conteúdo científico para a massa, se tem um grande desafio; pegar o conhecimento de forma bruta e lapidá-lo até chegar à uma forma que seja compreensível para um leigo. O primeiro problema é “como explicar um assunto complexo sem utilizar termos técnicos e sem matemática?”. Na tentativa de realizar esse trabalho MUITOS erros são cometidos pela simplificação, muitas generalizações e distorções são feitas para se chegar a “facilidade de absorção do conteúdo”. Mas apesar desses encalços a divulgação científica tem cumprido o seu papel?  A resposta está longe de ser trivial e única, então nesse texto vou expor minha opinião relacionada a documentários e revista destinados a população de modo geral.

A divulgação científica deveria ter por objetivo chamar a atenção do leigo para o que de fato é a ciência, o que ela faz e como ela faz. Mas o que temos sendo divulgado à população são matérias que se prendem em temas quase totalmente ficção científica. Não há um documentário que aborde de forma concisa as raízes da ciência, a forma de pensar dos cientistas, como a ciência é feita, os trabalhos sólidos e principalmente os conceitos básicos da fenomenologia. Não adianta uma pessoa aprender que supostamente a teoria da relatividade suporta idéias de viagens no tempo se nem ao menos essa pessoa conhece e compreende razoavelmente os postulados da teoria da relatividade, ou não conhece os conceitos básicos da conservação de energia.

Em nossa página é muito comum recebermos pedidos para tratarmos de “teorias” e aplicações psicodélicas envolvendo a física, como a fabricação de armas de antigravidade a partir da manipulação do gráviton (?), ou então nos depararmos com pessoas acreditando que assuntos como universos paralelos/multiversos são amplamente aceitos no meio científico.

Outro problema evidente advém das simplificações nos conceitos físicos que muitas vezes chegam a estar erradas, como o caso clássico do spin que eu mesmo já vi sendo tratado como a rotação da partícula. Tudo bem, nesse ponto você pode me dizer “ah, mas as pessoas irão pesquisar mais sobre o assunto e tomarão conhecimento que não é bem sim”. Mas essa visão é um tanto romantizada, salvo raras exceções, poucas pessoas de fato procuram por mais informações após receberem conteúdos errados ou incompletos. Até mesmo quando se tenta buscar mais informações você corre grandes riscos de encontrar conteúdo ainda mais errado ou simplificado do que foi passado por documentários. Pois grande parte do conteúdo de divulgação científica em português é feito por pessoas bem intencionadas, mas que não conhecem muito sobre o assunto e acabam por propagar os erros conceituais que elas absorveram.

Vejo que a divulgação científica de grandes mídias não tem auxiliado de forma satisfatória a alfabetização científica e também não anda tendo grande êxito no incentivo da mesma.

O problema do auxilio à alfabetização científica é mais fácil de resolver do que o incentivo a ela, bastava que os documentários tirassem o foco de teóricas e conseqüências mirabolantes apenas para chamar a atenção do público leigo, dando atenção para conceitos e fenômenos fundamentais da natureza que de fato agreguem algum conhecimento que possa ser usado para entender fenômenos mais complexos e, também, que se aborde as aplicações desses conceitos e o impacto social do mesmo de forma realista.
Infelizmente essas divulgações têm conseguido passar idéias negativas da ciência, pois facilmente uma pessoa pode ser levada a acreditar que a ciência não passa de uma coleção de teorias malucas baseadas em achismos de cientistas igualmente malucos, abrindo verdadeiras brechas ao pseudocientificismo e a anticiência.

Já o incentivo a alfabetização científica é um ponto muito crítico, pois ele reside muitas vezes na cultura e/ou condição social de um povo e só pode ser mudado pelo esforço de um governo comprometido com o desenvolvimento científico, tecnológico e educacional a partir de investimento de porte, cabendo aos outros meios o auxilio nessa difícil empreitada.
Assim, deixo ao leitor leigo algumas dicas que você deve tomar ao assistir esses documentários e ler as matérias de revistas e jornais:

1 – Cientistas divulgam seus trabalhos acadêmicos em periódicos sérios como a NATURE, SCIENCE e etc, não em livros de divulgação científica, documentários ou jornais.

2 – Muito provavelmente os conceitos que você verá na divulgação científica foram um pouco distorcidos para facilitar seu entendimento, portanto procure livros que tratem do assunto de forma mais técnica e caso tenha dificuldade em compreender procure ajuda de um amigo que trabalhe na área, use o ask pergunte ao físico, procure algum blog confiável.

3 – Dê prioridade para livros e Blogs sérios, principalmente desses autores: Richard Feynman, Carl Sagan, Brian Greene. Veja a lista de blogs que sigo na barra no topo da página!

4 – As únicas duas séries que conheço que até hoje cumpriram um excelente papel foram “Cosmos” e “O Universo Mecânico”, as outras se mostraram completamente descartáveis frente a essas duas. O problema é que eles dão muito sono.

5 – SEMPRE cheque as fontes. Artigo sem fonte é artigo sem credibilidade NENHUMA. (sempre repare no tanto de citações e fontes que usamos nos hiperlinks e/ou ao final dos textos) 

6 – Discuta e pesquise sempre as informações obtidas em documentários.

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Bom, é isso, deixem seus comentários sobre o assunto que tento discutir alguns pontos com vocês.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

Ciência Fastfood.

Estou adiando esse texto há anos e entre os pesquisadores esse assunto está batido, mas acredito que leigos e estudantes do início da graduação não tenham tanta familiaridade com ele. Então a idéia desse texto é trazer o assunto para perto de vocês, leigos e graduandos.

Bom, tudo começa com “Você sabe o que um pesquisador faz?”

“Ele faz pesquisa! ÓóÓóÓóÓóÓóÓó”… sim, isso mesmo, ele passa o dia dele estudando um assunto e tentando descobrir coisas novas por meio de matemática, experimentos, outras pesquisas, etc (no caso da física óbvio), essa é uma resposta razoável para nosso propósito. Mas e aí, como um cientista conta para todos os outros sobre os resultados de sua pesquisa? É no boca-a-boca, é no jornal, é no Discovery Channel, é por livros ? Não, nada disso, um pesquisador divulga seus resultados por meio de artigos que são publicados em periódicos ("revistas"). E funciona mais ou menos assim:

O cara está lá pesquisando algo, obtém resultados e escreve seu artigo mais ou menos dessa forma : (clique para aqui para ver um artigo do grupo de pesquisa do qual pertenço). Ao escrever esse artigo ele é enviado para uma revista (existem muitas com diversas especializações e diversos fatores de impacto). Então sua pesquisa tem que passar por uma banca que irá examiná-lo para saber se ele está correto e se é de interesse da revista publicá-lo, se for de interesse eles publicam e você ganha... NADA (!), isso mesmo eles não te pagam um centavo, em alguns casos é você quem tem que pagar. Mas tudo bem, parece algo interessante você submeter seu trabalho a uma revista em que ele será analisado e aprovado por outros profissionais antes de ser divulgado para a comunidade científica. O problema começa com o fato de que você tem que pagar para ter acesso a esses artigos, ou seja, você não ganha NADA por ele ser publicado e as pessoas tem que pagar para essas revistas para ter acesso ao seu trabalho. 

Meio estranho não?! 

Mas e aí, a gente gasta nosso suado dinheiro comprando artigos para poder pesquisar? Sim é exatamente isso que fazemos, mas não fique com dó de nós, vocês também nos ajudam nessa grande vaquinha! O Brasil, assim como muitos outros países, assina uma plataforma online chamada Isi Web of Knowledge que nos dá acesso á cerca de 400 periódico por ano, pela bagatela de 5 milhões ao ano. Sim, essas empresas que não pagam UM centavo para nós, vendem a divulgação dos artigos por cerca de 20 mil reais ao ano para cada periódico. Não é muito, é até que pouco na verdade, pois representa apenas 0,5% do nosso investimento em ciência e tecnologia.

Resumindo é algo assim: Nós não recebemos NADA por publicar nossos trabalhos, não recebemos nada por citar os artigos dessas revistas, não recebemos nada para ser revisores dessas revistas e ainda temos que pagar para ter acesso ao seu material que também foi produzido gratuitamente por outros pesquisadores e foi analisado gratuitamente. Lindo isso!

Mas e aí, porque se submeter a isso? Masoquismo?!
  
O problema atual da ciência é que quase todo nosso trabalho tem se resumindo a “Fornecimento de material” para esses periódicos. Vou explicar com calma como isso funciona, espero que você tenha paciência para ler. :)

Você sabe como um cientista é reconhecido como o bonzão na sua área? Pasme…. é pelo número de publicações nesses periódicos, sim, simplesmente isso “número”, não qualidade. Publique 10 receitas de bolo em um periódico que você será, do ponto de vista dos nossos órgãos de fomento, um pesquisador muito mais foda e receberá mais recursos que outro pesquisador que publicou apenas um trabalho, mas que revolucionou a sua área de pesquisa. Se Einstein ou qualquer outro emérito cientista de sua época trabalhasse hoje no Brasil, eles seriam pesquisadores medíocres, pois eles possuem baixo número de publicações, mas de impacto enorme. Se não me engano Einstein teve apenas 4.

Com isso nem preciso falar que a Ciência mudou de nome para “fábrica de artigos”. A única coisa que se quer é publicar, publicar e publicar… 

Na minha primeira reunião quando entrei na pós graduação, a segunda coisa que a coordenadora falou, logo após o “boa tarde”, foi “Vocês precisam publicar!”.

Para ilustrar ainda mais a situação, quando ainda estava na graduação eu ouvi uma conversa épica nos corredores do DFI. Eles tinham publicado um artigo e acabou rolando uma sobra desse artigo, foi nada mais que um problema experimental impar que eles tiveram,  eis que um professor surge com a idéia genial: “Remete à revista, diz que é um problema geral e muito importante, dá uma enrolada, vamos tentar publicar isso também…”. Logo depois descobri que isso ocorria em praticamente todos os departamentos, não apenas na física.

A maioria esmagadora dos pesquisadores está nem aí para a qualidade de suas publicações, eles querem apenas um grande número publicações para engordar seu Currículo Lattes. Isso está causando um enorme contingente de publicações sem relevância alguma, pois a preocupação com qualidade acabou ficando em segundo plano. 

Mas a ciência fastfood não é um problema só do Brasil, mas sim mundial. Tanto que por volta de 2011 começou a surgir na Alemanha um movimento chamado Slow Scence, que já vinha sendo discutido há muito a tempo. A proposta é simples: desacelerar, a ciência deve ser feita de forma lenta para que possamos pensar, rever os estudos, analisar de forma consistente nossos próprios dados, conhecer melhor os artigos nos quais nos apoiamos, a qualidade precisa sobrepujar a quantidade! O grupo de neurocientistas que encabeçou o movimento criou um manifesto (que você pode ler aqui) convocando os cientistas para o Slow Science. Mas infelizmente ninguém está pensando em desacelerar até o momento, e o movimento está bem apático.

Bom, deixe eu encerrar por aqui que eu também preciso por mais carvão nessa máquina de artigos!


Adendo aos anticiência:

Não tente usar esse texto ou mesmo o assunto pra desacreditar a ciência, pois mesmo que tenhamos trabalhos ruins por aí, erros sendo divulgados, etc no conjunto total a coisa é diferente, estamos constantemente corrigindo esses erros e construindo conhecimento solido à muitas mãos.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

A Divulgação Científica no Facebook; Praga ou Salvação?

O facebook é um excelente lugar para se divulgar ciência, uma vez que o alcance das páginas é bem grande e a facilidade de disseminação de conteúdo é enorme. A política do faça você mesmo que existe nas redes sociais garante ainda uma enorme liberdade e originalidade de conteúdos. Por esse motivo criamos a nossa página no facebook e na época existiam poucas páginas que tratavam de ciência em língua portuguesa, mas pouco tempo depois que surgimos a página do Universo Racionalista também surgiu e cresceu bem rápido, após isso surgiram várias outras, talvez influenciadas pelo alcance da UR.
Como eu já cansei de falar, aqui no Brasil não temos incentivo algum para a ciência e nem o mínimo de mobilidade do governo para suprir o analfabetismo científico da população. Com isso as páginas de facebook poderiam, ou até deveriam, ter um importante papel social na divulgação da ciência. Porém as coisas não são bem assim…
O crescente número de páginas tem sido acompanhado também de uma enorme queda da qualidade do conteúdo postado. É muito comum encontrar textos incorretos ou que nem sequer fazem sentido, além de fontes sem credibilidade, assuntos pseudocientíficos sendo tratados como ciência, etc. Isso tem acontecido porque na maioria dos casos falta preparo das equipes das páginas, o mais comum hoje é ver pessoas na faixa dos 12 aos 20 anos, que obviamente não tem formação acadêmica, realizando esse tipo de trabalho, então é claro que algumas coisas tenderiam a dar errado.
Já comentei anteriormente que é excelente essa moda de gostar de ciência, porém ela tem alguns traços negativos que chamam atenção. Primeiramente vemos que o que movimenta páginas de “ciência” não é ciência e sim fotos e piadas, tanto no Physics ACT quanto na UR os post com artigos e textos científicos recebem uma parcela insignificante de compartilhamentos e curtidas quando comparados aos outros posts. Segundo que textos maiores que dois twitts são considerados quimeras assustadoras pelos leitores. Com isso muitas páginas de “ciência” tem se focado em posts com frases, fotos da via láctea e do universo e textos no sabor de Not-even-wrong.
Dessa forma, tais páginas se tornaram uma faca de dois gumes, se desperta o interesse do leigo e leva, de certa forma, informação até ele, porém a qualidade dessa informação muitas vezes é nula ou até negativa, causando um impacto avesso ao necessário.

Mas a culpa é de quem na verdade? Do meu ponto de vista, é de todos um pouco, não temos preparação de adolescentes por parte das escolas no estudo de ciências, não temos apoio do governo, quem é capacitado para tal finalidade quase sempre está muito ocupado ou não quer fazer, aí sobra para quem não sabe fazer o serviço.

Ainda existe um outro problema; a arrogância.  Muitas páginas simplesmente não aceitam ser corrigidas quando fazem cagada. Nós que trabalhamos com divulgação de ciência estamos sempre sujeitos a cometer erros, juntando com a inexperiência dessas pessoas o erro é fato confirmado, mas errar é normal, depois corrige e se retrata com os curtidores. Porém ao invés disso alguns preferem começar verdadeiras bravatas de discussão para defender o erro e mantém a informação errada lá, fazendo um verdadeiro desserviço a divulgação científica e muitas vezes corroborando para a disseminação de pseudociência e anticiência.

Como melhorar isso? Essa pergunta é difícil, não vou falar aquele mantra sobre investimento do governo e etc. Mas o que se pode fazer inicialmente é ter humildade, se você está no ensino médio com certeza você não sabe quase nada de ciência, então vá estudar, estude muito para que você ao menos entenda um pouco do que você está divulgando. Segundo, não fale sobre o que você não sabe, isso foi uma coisa que aprendi com a experiência, quando somos leigos apaixonados por ciência nós quase sempre queremos escrever textos sobre determinado assunto, porém a falta de conhecimento da área nos leva a cometer inúmeros erros de generalizações. Hoje em dia quando leio textos de física que escrevi no Ensino Médio vejo o tanto de erros que cometi, então se quer escrever, escreva, mas peça ajuda para alguém que entenda academicamente sobre o assunto, sempre que eu preciso eu procuro meus amigos especialistas em determinados assuntos para me ajudarem, isso é de fato algo primordial. Terceiro, escolha bem seus moderadores. Infelizmente não importa o quão legal seja uma pessoa, você precisa de moderadores que saibam o que estão fazendo, ou ao menos que estejam dispostos a se esforçar para aprender. Quarto, tome muito, MAS MUITO cuidado com suas fontes, elas são os sustentáculos do conteúdo, então busque sempre sites de universidades, revistas especializadas e etc. Quando for citar blogs conheça o autor, saiba quem é ele, busque por mais informações sobre o assunto, outros pesquisadores da área, enfim, entenda a relevância e a veracidade do conteúdo postado.

Uma dica à você estudante de ciência ou pesquisador que adora sair por aí difamando páginas e arrumando briga: Se você não está disposto a fazer divulgação não faça, mas não atrapalhe a tentativa de quem está se esforçando, se você viu algo errado no texto, gaste o tempo que você ia perder sendo arrogante para corrigir educadamente a página, assim você estará contribuindo para quem de fato está fazendo algo.

E para você senhor da ciência que está juntando mofo na sua sala no departamento de física, deixe de tomar uma xícara de café e de fumar um cigarro e vá escrever um texto explicando algo que você trabalha para os leigos, dedique 5 minutos do seu dia para ajudar a diminuir o analfabetismo científico que você vai ter a honra que de viver em um país menos ignorante!

À você curtidor;  pare de ser preguiçoso! Depois de ler qualquer coisa em uma página vá procurar se informar melhor, vá pesquisar sobre o assunto em sites de confiança, pergunte ao seu professor, mande e-mail para algum cientista que você conheça, perturbe a gente no ask "Pergunte ao Físico". Enfim, se mexa e seja um curtidor ativo!

Mas não vou ser apenas um acusador, vou dar uma ideia de melhoria, obviamente que ninguém vai se importar.

Se algumas universidades abrissem para a sociedade pequenos cursos de divulgação científica em mídia virtual ensinando aos interessados um pouco da forma que a ciência é trabalhada, como divulgá-la, como pesquisar e utilizar fontes confiáveis, etc. Isso já seria muito significante e tocaria nos principais pontos de carências das páginas e blogs de hoje.... Mas quero ver é alguém ter vontade!
sábado, 20 de julho de 2013
Posted by Thiago Guimarães

Post Inicial e Algumas Dúvidas

Olá a todos.

Para quem não me conhece meu nome é Thiago M. Guimarães e há mais de 7 anos trabalho informalmente com divulgação cientifica na internet. Formalmente trabalho na área de  Teoria de Campos e Partículas.

Hoje decidi dar cabo da vida do blog Physics ACT, fiz isso por vários motivos, o primeiro deles é a falta de organização daquele blog, está tudo muito bagunçado e quase impossível de arrumar devido a enorme quantidade de textos. O segundo é que comecei a escrever naquele blog antes mesmo de começar a graduação, então tem muita coisa lá que deveria ser excluída ou corrigida. Terceiro é que para mim já deu o que tinha que dar, não gosto mais do formato dele nem de boa parte de seu conteúdo, então tomei a decisão de deletá-lo.

O que vai mudar?

O blog Physics ACT vai ser excluído e o seu conteúdo será dividido entre dois blogs. A parte do conteúdo voltada mais para opiniões pessoais, textos reflexivos sobre ciência e educação, bem como textos de divulgação científica virão para cá, já textos mais técnicos irão para o Relative Thinking.

Não irei mais postar solucionários nem irei escrever mais textos para Ensino Médio (é estressante! - mas não siga meu exemplo), isso se dá em partes também pela minha falta de tempo.

A página de Facebook Physics ACT continuará ativa normalmente e quando aparecer algum tempo eu volto a postar nela.

Por que dois Blogs?

Simples questão de organização. Como gosto de escrever tanto textos acadêmicos quanto de divulgação científica achei que ficaria melhor criar um ambiente mais descontraído e o outro mais formal.

Quem vai escrever?

Inicialmente apenas eu, mas espero angariar amigos e convencer a minha noiva.

Qual será o foco desse blog?

O foco desse blog será voltado para discussões pessoais acerca da relação entre ciência, tecnologia e sociedade, também pretendo abordar alguns assuntos em nível de divulgação científica, além de alguns pontos sobre divulgação científica. Tudo de maneira informal.

É isso pessoal!
Posted by Thiago Guimarães

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